I Congresso Nacional da Maternidade
Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, 7 de
Março de 2009
1. A Maternidade e a
Paternidade são valores sociais eminentes. Esta afirmação é
uma evidência da experiência humana de tal modo forte que
mereceu mesmo consagração na Constituição Portuguesa.
2. Da Maternidade e da
Paternidade resultam a vida humana. Ambas são a primeira
instância do reconhecimento da sua dignidade e primeiro
lugar da sua protecção desde a concepção.
3. A Maternidade e a
Paternidade são a origem de homens e mulheres, a maior
riqueza das nações. A humanidade é assim aquela instância da
criação em que esta toma a consciência de si própria
destinada a usufruir e construir o mundo em que todos
habitamos.
4. Por isso a criação de
condições para que da fertilidade humana resultem todos os
seus efeitos desejados e esperados é um imperativo para
todos e para os poderes públicos em geral que não podem nem
devem criar dificuldades à sua livre expressão.
5. A criação de um ambiente em
que a Maternidade e a Paternidade podem realizar a sua
potência, em que o resultado desta, as crianças, podem
encontrar um ambiente favorável ao seu crescimento e
desenvolvimento é um imperativo de sobrevivência do Homem e
uma exigência que todos somos chamados a fazer a quem tem
nas suas mãos a realização do bem comum
6. Das crianças depende o
futuro da humanidade. O seu interesse, de que a Maternidade
e a Paternidade são a primeira instância de reconhecimento e
protecção, não pode em qualquer circunstância ser posto em
causa ou objecto de instrumentalização.
7. De estudos apresentados,
nomeadamente os que resultam de um dos mais recentes Prémio
Nobel, tornou-se evidente como para além da questão
demográfica, factor de desenvolvimento e sobrevivência da
humanidade, da Maternidade e Paternidade, encorajadas,
protegidas e acarinhadas, resulta o ambiente mais propício a
um crescimento saudável de que resulta uma maior qualidade e
riqueza da contribuição das novas gerações para os
desenvolvimento económico e sustentável.
8. Estudos recentes e
múltiplos demonstram como o vínculo seguro e estável entre
um homem e uma mulher se estendem nos seus efeitos às
crianças e lhe proporcionam o ambiente ideal de crescimento.
9. A família, resultante do
casamento, a união entre Homem e Mulher, é simultaneamente
resultado e lugar indispensável à realização da maternidade
e paternidade. A dignidade, estabilidade e segurança do
casamento são por isso instrumentos fundamentais para que se
possam realizar nas melhores condições a Maternidade e a
Paternidade. Aos poderes públicos apenas cabe reconhecer o
que já resulta da experiência humana recusando-se a qualquer
engenharia social oposta a esta instituição.
10. Sendo a Maternidade e a
Paternidade geradoras de Família, a célula base da
sociedade, impõe-se o respeito do princípio da
subsidiariedade pelo qual não deve nenhuma instância
propor-se a fazer o que a anterior pode realizar em melhores
condições. O respeito deste princípio deve começar desde
logo na educação dos filhos, uma função insubstituível dos
pais, á qual o estado é apenas suposto ajudar na medida em
que lhe for pedido e sempre obedecendo ás suas indicações.
11. Para um ambiente
plenamente favorável à Maternidade e Paternidade é
indispensável que sejam respeitadas as liberdades de
consciência e religiosa de forma a que os pais e as mães
possam realizar a sua própria humanidade nas condições
ideais, únicas que proporcionam às crianças geradas as
circunstâncias adequadas ao seu próprio crescimento e ao
desenvolvimento pleno das suas potencialidades.
12. A Maternidade e
Paternidade sendo dados da natureza humana não dependem dos
poderes públicos. No entanto estes devem criar as condições
necessárias (sociais, económicas, culturais) para que
aquelas se possam realizar plenamente abstendo-se de todas
as atitudes e medidas que as podem prejudicar. Em democracia
os poderes públicos resultam da vontade livremente expressa
de todos os cidadãos. Essa vontade no entanto tem os limites
que resultam da condição e dignidade humanas sem o que não
existe possibilidade de livre desenvolvimento da humanidade
e de cada um prosseguir a sua felicidade. No limite é mesmo
a própria democracia que é posta em causa porque o seu
fundamento é a dignidade humana.
13. Em Portugal nos próximos
meses todos os cidadãos serão chamados a pronunciar-se sobre
a condução do destino colectivo. Nós Homens e Mulheres, Pais
e Mães, reunidos neste congresso, Estaremos presentes nessas
circunstâncias afirmando o valor da Maternidade e
Paternidade e verificando em cada momento quem e como se
propõe a colocar esta questão em discussão pública e
decidido a propor medidas concretas que as favoreçam.
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